Craque à maneira brasileira
Kicker cearense de um time universitário nos EUA mostra que o maior talento do brasileiro está mesmo é nos pés
O futebol americano surgiria pouco tempo depois, fruto da paixão pela bola, só que a redonda. Pery jogava futebol (o nosso, chamado por eles de "soccer") na escola. "Depois de dois anos, um treinador disse que eu podia chutar, porque já jogava futebol. Bastou ver um chute meu e ele soube que eu ia entrar no time", conta o estudante.
Melhor do país
E foi no Trinity Trojan, equipe de futebol americano de sua "high school" (equivalente ao ensino médio no Brasil), que ele teve seus momentos mais gloriosos. "No primeiro ano em que joguei, ganhamos o estadual, fomos rankeados como o 25º melhor time do país. No ano passado, ganhamos de novo e fomos rankeados em 1º", relembra. À reportagem do Diário do Nordeste, Pery exibe dois grandes anéis que simbolizam as conquistas. Numa delas, se sagrou herói do título. Em 2007, com um chute ("field goal", que vale três pontos) de uma distância de 23 jardas, na 2ª prorrogação.
Após o sucesso no Texas, como havia terminado a high school, se mudou para o estado do Missouri, no centro-oeste americano a fim de cursar administração pela Valley College. Atualmente iniciando o 3º semestre do curso, está aguardando a hora de estrear pelo Missouri Valley College Vikings, equipe da universidade. A vaga no time lhe proporciona uma bolsa integral de estudos.
NO CEARÁ
Esporte já avança várias jardas
Enquanto espera ansiosamente para acompanhar o início da temporada da National Football League (NFL), a milionária liga de futebol americano dos EUA, Gabriel Campelo continua sua sina de ser um dos divulgadores incansáveis do esporte no Ceará e Nordeste do País.
O comerciante de 25 anos, que nunca esteve nos EUA para ver um jogo de futebol americano (ele revela que esse é seu maior sonho de consumo) é jogador da equipe Jaguars Fortaleza, fundada em novembro de 2008. "Acho que o esporte já está vingando, virando uma coisa muito séria por aqui", defende. Campelo baseia sua afirmação nos números, calculando um crescimento de cerca de 300% no número de praticantes nos últimos anos na região Nordeste. "O futebol americano no Ceará tem uma empresa de marketing privada, o que nem um clube de futebol tem no Estado, cuidando da imagem do nosso esporte. Ano passado, em Fortaleza, só tinha dois times de futebol americano. Hoje, nós temos 5 times principais mais um da categoria júnior". Campelo informa, ainda, que o fenômeno se espalha com vigor pelo interior do Estado, com 40 equipes inscritas na federação local.
O atleta assegura que o movimento em torno da prática esportiva é nacional, com diversas competições e atletas federados espalhados pelo Brasil. "Pelo tempo que o futebol americano tem no Brasil, está tendo um crescimento em progressão geométrica", se entusiasma Campelo. Ele, no entanto, lamenta a falta de campos para treinar em Fortaleza. "A gente precisa de campos com grama. Estamos desesperados, a palavra é essa. Treinamos no Aterro da Praia de Iracema, mas não é o ideal".
Ainda neste ano de 2009, a Federação Cearense de Futebol Americano, de acordo com seu presidente, Napoleão Araújo, deseja organizar o "Ceará Bowl", envolvendo cinco times da Capital, e receber o "2º Nordeste Bowl", envolvendo seis times de toda a região.
ESPORTE MILIONÁRIO
NFL é máquina de dinheiro
Os números não mentem. A National Football League (NFL) está entre as maiores competições esportivas da Terra.
Para se ter uma idéia, só para seu momento culminante, o Super Bowl - jogo entre os campeões das duas conferências da liga, a Americana e a Nacional - os organizadores arrecadam em direitos de transmissão US$ 2,6 bilhões. A cada jogo, são cerca de 17 milhões de espectadores pela televisão, sendo que para o jogão decisivo, a audiência chega a 100 milhões de torcedores e admiradores do esporte.
A temporada regular começa em 10 de setembro, com 32 times disputando o título.
DOENÇA
Atleta revela drama que viveu na infância
Mas nem tudo foi alegria na história de vida do atleta. Quando tinha seis meses de idade, Pery quase morreu, vítima de uma infecção por uma bactéria perigosa. "Tiveram que cortar mais da metade do meu intestino, porque estava infeccionado. Quando fecharam minha barriga, disseram que eu não teria mais uma vida normal", narra.
Contrariando os prognósticos iniciais, ele conseguiu fazer tudo o que um jovem é capaz de fazer, inclusive praticar um esporte considerado por muitos violento. Pensando em sua saúde, porém, seus pais pediram que ele fizesse exames durante a estada em Fortaleza, o que acabou detectando seqüelas remanescentes da doença. "Acharam duas pedras na vesícula e duas varizes no meu esôfago. Meu baço está grande e eles (médicos) acham que foi por causa de uma cirurgia que fiz no ano passado".
Pery diz que seu médico brasileiro recomendou que parasse de jogar, mas que, antes, ouvisse profissionais dos EUA para toma r alguma decisão. "Se pedirem, tem que parar, né? Mas não espero ter de parar, não", afirma o obediente kicker.
Bom para ele, então, que, por conta da função que exerce em campo, não precisa ter contato físico com outros jogadores. "O pessoal brinca muito comigo, por causa da minha função, dizendo que não faço nada, mas eu não ligo", garante.
Bem adaptado
O kicker revela as diferenças entre o comportamento dos povos, pelo menos no seu ponto de vista. "As pessoas aqui são bem mais amigas. Lá, são muito relaxados, frios. Tenho poucas amizades, são só os familiares e alguns colegas de escola".
Perguntado se consegue se ver morando novamente no Brasil, Pery diz não ver problemas na possibilidade. Entretanto, completa: "só voltaria depois que me formasse. Mas acho que não seria tão difícil me adaptar. Nasci aqui e, com um mês (de férias) que passei em Fortaleza, já deu para me acostumar bem", avaliou, enquanto arrumava as malas para voltar ao estado do Missouri, EUA, na manhã da última quinta-feira, 20.
O futebol que ele pratica é jogado a maior parte do tempo com as mãos. Mas o atleta não precisa usá-las, em razão da posição em que atua: Pery Negreiros é "Kicker" - função em que, grosso modo, o jogador só entra em campo para chutar a bola oval - do Missouri Valley College Vikings, time de futebol americano universitário. O jogador é cearense (de Fortaleza), tem 20 anos e pratica o esporte nos Estados Unidos há seis.
Como muitos brasileiros, Pery se mudou para os EUA com os pais e o irmão mais velho, em 1998, para tentar melhorar de vida. Então com 10 anos, o menino não conhecia uma palavra da nova língua quando chegou à pequena Euless, Texas. "Era difícil fazer tarefas de casa em inglês. Tive de aprender espanhol primeiro", relata, revelando um sotaque e frases compostas à maneira da língua anglo-saxã.
Saiba mais
NCAA
National Collegiate Athletic Association (Associação Atlética Universitária Nacional) regula o esporte universitário nos EUA
Futebol universitário
A NCAA administra o futebol americano universitário, que possui 3 divisões. A principal delas está em sua 32ª edição em 2009
Maiores vencedores
O time da Georgian Southern University detém a maior quantidade de títulos (6), seguido pela Youngstown State (4)
Kicker
O "chutador" do time só entra em campo no field goal (quando o time não completa a jogada) e no extra point (após o touchdown)
PERY NEGREIROS
ESPECIAL PARA O JOGADA
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Ceará Jaguars - A Equipe de Futebol Americano do Ceará Sporting Club


